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VALOR ECONÔMICO

Os sindicatos de metalúrgicos ligados à Central Única dos Trabalhadores entregaram nesta semana a entidades empresariais propostas para tentar minimizar os efeitos da crise no nível de emprego da categoria. As ideias giram em torno de proteção à indústria local, como concessão de crédito, aumento no índice de nacionalização e estímulo à pesquisa. Assinado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pela Federação dos Metalúrgicos da CUT, o documento, que contém seis propostas, foi entregue à Anfavea, Sindipeças, Abimaq e Abinee, que representam, respectivamente, as indústrias de veículos, autopeças, máquinas e elétrica e eletrônica. 

A ideia, diz o presidente do sindicato do ABC, Wagner Santana, é levar o Brasil a redefinir sua indústria a partir da pandemia. Santana diz que seu desejo seria propor uma comissão tripartite, envolvendo o poder público. Mas ele acha que “não dá nem para pensar” na possibilidade de o atual governo receber o movimento sindical”.

E, embora o sindicalista considere que “isso não tem a cara” de ministros como Paulo Guedes, da Economia, ele gostaria de dizer ao governo que acredita que a pandemia tende a fazer com que todos os países “entrem numa onda de proteção de suas indústrias”. Isso sugere a necessidade de o Estado “colocar a mão na economia e no planejamento”. “É o que países como a Alemanha têm feito pela sua indústria; cada um está cuidando do seu quadrado”, diz.

Santana prevê uma onda de demissões na base metalúrgica. “Não temos a ilusão de que isso não vai acontecer porque historicamente a corda acaba arrebentando do lado do trabalhador”, afirma. Segundo ele, para cada emprego perdido numa grande empresa, como uma montadora, outros quatro ou cinco serão eliminados nas empresas menores. Ele acredita, no entanto, que parte das demissões poderia ser evitada por meio de políticas que possam dar fôlego à indústria. E, assim como os empresários, os sindicalistas também defendem mais facilidades na concessão de crédito a quem produz riqueza no país. “Se o governo for tímido a desgraça será maior”, afirma. 

O documento também fala em estímulo à pesquisa e desenvolvimento. Embora Santana acredite que a alta do dólar tende a elevar, naturalmente, a nacionalização dos produtos fabricados no Brasil, incluindo máquinas, ele considera pouco diante do potencial do país. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, diz que a lógica do setor automotivo é nacionalizar o maior número possível de componentes. “Mas isso leva tempo, principalmente nos itens de segurança”, destaca o executivo.

O documento preparado pelos sindicatos fala, ainda, em “reconversão industrial” para ampliar a participação do setor metal-mecânico na ajuda à produção local de equipamentos relacionados ao enfrentamento da pandemia. Para os executivos, essa tem sido uma ação voluntária e solidária, sem muitas perspectivas de diversificação em novos mercados. Mas o movimento sindical acredita que, ampliada, essa ajuda poderia reduzir a ociosidade do parque industrial. “Até as partes mecânicas de camas hospitalares podemos fazer”, afirma.

O documento toca, ainda, numa discussão histórica, que nenhum governo quis levar adiante - a renovação da frota de veículos. Para Santana, nem mesmo o governo do PT (ao qual a CUT é mais alinhada) se sentiu estimulado a lançar um programa dessa natureza porque o mercado se expandia sem a necessidade de estimular a renovação da frota. Mas agora o cenário é outro. Principalmente no segmento de caminhões, prevalece, inclusive na indústria, a defesa de um plano para tirar os veículos mais velhos das estradas por motivos de segurança e ambiental.

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