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O ESTADO DE S. PAULO

A recuperação da economia, turbinada pelo auxílio emergencial de R$ 600, foi desigual entre os setores. Em julho, as vendas do varejo e da indústria já estavam quase no mesmo patamar de janeiro, antes da pandemia, segundo indicador construído pelo economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a partir de dados do IBGE. Materiais de construção, eletroeletrônicos e móveis têm sido destaques positivos.

Mas o setor de serviços, responsável por quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e pela maioria dos empregos, praticamente não sentiu os efeitos. Os serviços, que dependem de gente e muita vezes envolvem aglomerações, como restaurantes, shows, festas, devem fechar o ano com queda histórica de vendas por causa do isolamento imposto pela pandemia. 

Na economia como um todo, porém, o auxílio emergencial ajudou a diminuir o tombo da atividade no segundo trimestre, que caiu quase 10% ante o primeiro. Também deve contribuir para o crescimento forte do PIB, entre 5% e 6%, esperado para o terceiro trimestre, dizem economistas.

“Existe uma retomada, ela é mais forte do que se chegou a prever num certo momento e um bom indicador disso foi a revisão da projeção da OCDE para o Brasil neste ano, de queda de 7,4% do PIB para retração de 6,5%”, destaca o economista Armando Castelar, coordenador da área de Economia Aplicada do Ibre/FGV. 

Campo

Por causa da alta de preço dos grãos, da supersafra, da voracidade de compras da China e da desvalorização cambial, o agronegócio é dos poucos setores que vão muito bem mesmo com a pandemia.

Luiz Henrique dos Santos, gerente da concessionária Chevrolet Vianorte em Sorriso (MT), considerada a capital do agronegócio pela grande produção de soja, conta que há fila de espera de produtores para compra de caminhonete S10 LTZ. A picape custa quase R$ 180 mil. A espera é de 60 dias. “O produtor não tem onde gastar.”

Mesmo estando num bom momento, economistas explicam que o agronegócio não é capaz de compensar a queda de outros setores nem gerar empregos para absorver a massa de desocupados. Ele responde por cerca de 25% do PIB.

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